Home Data de criação : 10/05/28 Última atualização : 11/10/17 15:49 / 3 Artigos publicados

Werner Schumann - Entrevista  escrito em quarta 11 maio 2011 08:20

Blog de sol-na-neblina :Sol na Neblina (Sun in the Mist) a film by Werner Schumann, Werner Schumann - Entrevista

                                             

 

 (por Ute Mader para a Revista Matices, Alemanha, 2011)

 

Voce trabalhou o filme com uma equipe pequena e muitas vezes usando camera nao mao. É um conceito de trabalho estetico pra voce?


O uso de camera na mao permitiu criar uma espontaneidade ja que SOL NA NEBLINA é um filme com poucos dialogos onde a historia é narrada com elementos totalmente visuais. As cores, os sons, as paisagens sao elementos importantes que usamos para construir a narrativa do filme. Neste sentido nao seguimos por uma caminho classico de construcao de roteiro. SOL NA NEBLINA é tambem muito influenciado pela narrativa economica da obra do escritor Albert Camus.

SOL NA NEBLINA foi filmado depois de O CORO. Para fazermos O CORO tinhamos uma equipe relativamente grande e muito mais recursos financeiros. Depois que terminamos as filmagens queria fazer SOL NA NEBLINA com o minimo de gente possivel sem equipamento pesados tais como gruas  e travellings. Apenas um pequeno grupo que se revezava em varias atividades. Por exemplo: a mesma pessoa que fazia a producao era responsavel tambem pelo figurino e pelo make up. Eramos como uma familia vivendo no mesmo hotel, filmando na praia. Foi uma experiencia muito boa, sem compromissos.

 

 

Existe o paraiso que Pedro esta buscando? A protecao que ele busca no quiosque  funcionaria na realidade social da violencia?


O personagem de Pedro (interpretado pelo ator Santos Chagas) leva uma vida mediocre e tediosa e depois de sofrer um sequestro – o que é muito comum nas cidades latino-americanas – ele decide ir em busca de um paraiso, e decide morar numa cidade pequena do litoral, mas até mesmo onde existe  “mar e céu azul” a violencia e a miséria o perseguem. Neste sentido usamos o quiosque como uma fragil simbolo da sua protecao como se fosse uma casca de ovo. Percebemos que a violencia nao é so fruto de uma realidade social mas sim parte da natureza humana.

 

 

Voce se inspirou em quais cineastas. O que voce gosta no cinema mundial?


Toda a trilogia é uma homenagem ao cinema e sua historia. Eu faco parte de uma geracao que cresceu vendo filmes na Cinemateca de Curitiba (capital do estado Parana, Brasil). Lá podiamos ver os grandes classicos e aprender com eles. Gostava muito de Antonioni, Robert Bresson, Bunuel, David Lean, Pasolini, Carlos Saura, Jaques Tati, Bergman, Leon Hirzmann, Glauber Rocha e todo o Cinema Novo brasileiro. Certamente a trilogia é uma homenagem aos diretores e aos filmes que eu gostava de assistir na Cinemateca. SOL NA NEBLINA tem um pouco de influencia de cada um destes diretores.

 

 

 Voce falou de uma trilogia. Sol na Neblina é a primeira parte? Voce poderia comentar um pouco o conceito?


Na verdade toda a trilogia tem por objetivo uma pesquisa de linguagem cinematografica no sentido de pensar o que foi o cinema no passado e qual sera o cinema do futuro. Neste sentido é um trabalho sem compromisso com o mercado e mais uma reflexao pessoal sobre o proprio cinema.

SOL NA NEBLINA juntamente com O CORO e A DIMENSAO faz parte desta reflexao, ainda que os filmes sigam uma linha mais existencial do que social. Ja me falaram que estes filmes nao se parecem com “filmes Brasileiros”, mas na verdade as pessoas esquecem de que o Brasil é muito grande e eu cresci no sul, vindo de familias alema e italiana, onde é muito mais parecido com a Europa do que com aquela imagem de paraiso tropical cercado de favelas e violencia. O CORO, por exemplo, é um retrato fiel da sociedade Curitibana onde mostramos um grupo de pessoas ensaiando para uma apresentacao da 9ª. Sinfonia de Beethoven. E aqui na Europa me perguntam: Brasileiros tem crise existencial? E o Samba? Onde esta o samba? Para nós do sul do Brasil aquela imagem da mulata brasileira dancando no carnaval do Rio é tao exotica quanto para um turista europeu. 

 

(por Ute Mader)

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Paulo Leminski - Ervilha da Fantasia (1985)  escrito em quarta 15 dezembro 2010 10:57

"Ervilha da Fantasia" , documentario rodado em 1985 com Paulo Leminski. O filme completou 25 anos e é o mais importante trabalho realizado sobre o Poeta Leminski.

No Youtube:

ERVILHA DA FANTASIA pode ser visto na íntegra no youtube no endereco abaixo:

 

http://www.youtube.com/watch?v=QZU-5UxhMhU

 

 

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Crítica: SOL NA NEBLINA e a densidão do horizonte  escrito em sexta 28 maio 2010 08:42

Blog de sol-na-neblina :Sol na Neblina (Sun in the Mist) a film by Werner Schumann, Crítica:  SOL NA NEBLINA e a densidão do horizonte

 

                                                                           por Fabio Kinas

 Fácil pôr adjetivos em nossas impressões cinematográficas, um pouco mais difícil é ir além dessas sensações adjetivadas.

Na brumas do horizonte se pergunta: quem vem lá?

No reino podre da Dinamarca, um Hamlet zombeteiro, aventuresco, patético e as vezes até apático, nos guia em direção à tragédia. Mas não nos enganemos, este personagem dramático, tal qual Édipo é ator e sujeito de sua historia.

Hoje, as coisas (ou as análises das obras) já não são tão simples assim. Se observarmos os dois personagens principais do filme (« sol na neblina ») quais as opções de análise quanto as motivações (para agir), vontades ou desejos? E quais as forças (sociais, políticas e econômicas) que os levam – em direção – à este nebuloso horizonte?

Um filme impiedoso, cruel e poético – aqui estão os adjetivos nos quais vou guiar este texto e assim fechar os pecados capitais desta análise fílmica.

Impiedoso:

Um dia-a-dia banal para nosso personagem, ou seja, não vive com a corda no pescoço e está longe de curtir a vida em havaianas. O filme lhe mostra – o personagem – com a fria lâmina do tédio, da indiferença ou do medo perpetrados pela vida urbana – e não somente urbana, como veremos com o avançar do filme.

É com os personagens mais falantes, humorados e simpáticos que a lâmina desta impiedosa faca (cinematográfica) nos penetra o ventre. Neste momento acontece o seqüestro/assalto que todos nos (brasileiros) já vivemos, vamos viver ou tememos. Ele acontece de uma maneira quase tão banal ou apática quanto outros eventos cotidianos.

A mata atlântica (lugar da natureza e do desapego material - no caso o roubo do carro do personagem) é a passagem entre: a cidade atolhada de mercadorias e publicidade e o litoral, representado pela praia e nos dando a idéia de fuga pela linha do horizonte.

Neste momento o filme nos dá uma fugaz esperança com sua paisagem entre o claro e o escuro, entre a praia virgem e as crianças brincando. Ele, o personagem, espera pacientemente os clientes em um verão que supostamente chegará.

Mas entretanto surge uma segunda personagem, a menina, carregando consigo todas as dificuldades de uma família pobre e desagregada que representa para ela o pesadelo de um fim de infância.

Enquanto os bens de consumo e produtos de nossa sociedade ocidental passam ao longe do mar à cidade e vice-versa, aos habitantes deste desolado litoral, resta tornarem-se mercadorias, ofertando seus corpos e serviços. O filme definitivamente continua impiedoso, onde uma janela se abre uma porta se fecha e a penumbra permanece nos acompanhando ora nos ambientes, ora nos olhares.

Daqui em diante o filme nos presenteia com diálogos cruéis: diretos, irônicos e um tanto esclarecedores. Porém, não há saídas pelo dialogo, ele mostra a crueza das relações.

Toda aproximação entre personagens denota um jogo de interesses e nesta linda paisagem marítima desvenda-se nossa alma corrompida, que situa-se entre: « O quê você pode me dar e o quê eu posso tirar de você ».

Cruel, porque alguns personagens constatam a realidade ao redor e depois discorrem sobre ela em análises mordazes e críticas, mas finalmente não lhes resta que alimentar este sistema vicioso.

Que lógica esta por trás desta realidade? Para estes personagens – o policial e a dona do bordel – o motor do sistema está escondido. Não lhes interessa ou não lhes é dada a chave da compreensão desta sórdida e densa máquina de injustiças e exploração. A menina é vítima, dada sua idade e condição social e o homem, nosso personagem principal, tenta vagar livre em direção à um horizonte que provavelmente nunca virá.

Porém para nós, expectadores, o filme sussurra uma pista em sons e imagens: os enormes navios cargueiros – estes charmosos monstros que cortam nossa linha do horizonte em manchas de petróleo.

Muitas vezes nos pegamos observando poéticas paisagens em que o personagem tenta nos levar com seu olhar, insistindo em uma certa brancura e no alegre jogo das crianças.

Mas não sejamos ingênuos, neste lugar se rouba o futuro da menina que está afundada entre aqueles que – ironicamente – querem o seu bem e que dizem protegê-la e alimentá-la. Estes caranguejos - negociantes cruéis - estão por detrás das tristes imagens finais do filme onde num banco traseiro de um automóvel vemos os frágeis e amedrontados olhinhos da menina que partem como matéria-prima para se tornarem novamente mercadorias. Na densidão do horizonte, não se vislumbra caminhos ou direções e quando o filme começa à nos roubar a esperança... torna-se ainda mais impiedoso, cruel e poético.

 

                                             por Fabio Kinas – Berlin 07 de julho de 2009

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